COMPORTAMENTO

Rivalidade Feminina: será que o mundo é pequeno demais para nós duas?

Dessas da paz, dessas demais, dessas que correm atrás! Essa frase sintetiza tudo que a nossa cover girl, Camila de Alexandre, representa. Prepare-se: nas próximas linhas vamos expor um feminismo sem clichês

Por: Zu Oliveira | Fotos: Lu Cantiliano | Styling e Produção de Moda: Zu Oliveira | Agradecimentos: L’atelier Louer e Saltare

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Camila de Alexandre é maquiadora, – não raro integra o time estelar de beleza das melhores revistas de moda do Brasil – macaense quase na casa dos 30, decidiu seguir aquele clichê consagrado pela literatura de auto-ajuda: siga os seus sonhos. Contrariando quem torce o nariz para esse gênero, hoje tem seu talento reconhecido e requisitado na megalópole fashionista que é São Paulo. “Eu expresso meu lado artístico através da maquiagem, pela liberdade da beleza individual de cada mulher”, conta Camila.

_MG_8357-1O que passou pela sua cabeça quando viu a foto de Camila de sutiã e com várias tatuagens? Causou admiração ou julgamento? Quantas mulheres você conhece que já desqualificaram outras mulheres pela roupa que usavam, por um corte de cabelo, por um estilo diferente? Missão cumprida no intento de provar o quanto faz sentido ir até São Paulo para ter Camila de Alexandre na capa da You Fashion e abordar rivalidade feminina. No excelente artigo sobre o assunto “O que é que eu vou fazer com essa sororidade?”, de Ana Bavon, do site casadamaejoanna.com, Ana faz observações pertinentes o tema. “A psicóloga holandesa Karin Jironet, no seu livro Liderança Feminina, expõe os aspectos da personalidade que interferem em uma maior união entre as mulheres e consequentemente, a aplicação da sororidade – palavra que define união e aliança entre mulheres. Segundo Karin, muitas mulheres conseguiram obter cargos de liderança copiando o comportamento masculino, fazendo uma gestão mais agressiva e competitiva. Sempre muito alerta e cautelosa, essa mulher dificilmente abrirá espaço para uma nova colaboradora com potencial de crescimento: ela vai temer, se manter vigilante e dificilmente estenderá a mão. Como então pedir que, em nome da sororidade, ela acolha essa recém-chegada?”, escreveu Ana.


“A agressiva competição entre as mulheres dá-se principalmente com o fato de que, nascidas e criadas numa sociedade dominada pelos homens, internalizamos a perspectiva masculina e a tomamos como nossa. O olhar masculino sobre as mulheres como objetos torna-se, assim, quase que profecia que se cumpre em si mesma. Quanto mais consideramos a validação masculina (ou a validação sob os valores tidos como masculinos) como a única fonte de força, valor e identidade, mais somos levadas a batalhar umas com as outras pelo prêmio”, opina a jornalista Marcela Tosi. A mulher moderna vive e reproduz padrões originados pelas gerações paternalistas passadas, mas quando se abre espaço para debate e discussão de assuntos como esses, inicia-se a clássica primeira etapa da mudança: reconhecer o problema em si.


“São inúmeros os ambientes em que a mulher vem sendo colocada como protagonista. É a partir do árduo trabalho feminino por espaço e direitos que surgem o empreendedorismo feminino, o empoderamento feminino, ações empresariais afirmativas pelo desenvolvimento profissional da mulher para alcance da paridade de gênero. Devemos saudar e comemorar cada uma destas conquistas, mas não cair na armadilha de dizer que a sororidade já compõe ambientes femininos. Para chamar ligações entre mulheres de sororidade há muito trabalho pela frente ligados a crenças, egos, vícios e vaidade”, completa Ana Bavon. Não se trata de um apoio irracional – ninguém é obrigada a conviver com pessoas sem conexão ou de caráter duvidoso, mas você já parou pra pensar o por que disso? Talvez seja isso que falta: perguntar o porquê das coisas antes de tirarmos conclusões precipitadas e sair esbravejando palavras que julgam e isolam as mulheres umas das outras. Seja uma dessas que apoia, a vida já tem batalhas demais para lutar! Precisamos nos orgulhar de ver mulheres como Camila (ou whoever!) invadindo o mainstream da moda e dos mais diversos segmentos. Camila integrou o super time de beleza da top beauty artist Amanda Schön nos backstages do último São Paulo Fashion Week, causando frisson por ter equipes formadas majoritariamente por mulheres. “Nós priorizamos mulheres, porque a entrada delas no mercado de maquiadores ainda é muito difícil. Por muito tempo ele foi monopolizado por homens. Nos conectamos com essas profissionais talentosas e queremos gerar oportunidade”, explica Amanda, que assinou a beleza dos desfiles de coleções da Osklen e do Projeto Ponto Firme no SPFW 45, em entrevista para a Revista Glamour.


“Mulheres unidas protagonizaram importantes transformações nas sociedades ao redor do mundo. Mulheres unidas têm protagonizado revoluções diárias e cada vez mais visíveis.
Em coletivos feministas; em conversas com as mulheres do seu convívio diário; em suas profissões; em projetos e grupos surgidos nas redes sociais; nos grandes centros urbanos e nos lugares mais escondidos e esquecidos; nas mais diversas pautas e demandas, nos apoiamos e nos fazemos feministas, mesmo ainda que não nos tenhamos colocado rótulo, completa a jornalista Marcela Tosi.


Que venham mais reflexões sobre crenças enraizadas, mais Camilas, mais mulheres disruptivas, mais sororidade.
“Demorei um tempo para me aceitar e me encontrar. Tenho a pele clara, mas sou negra! Meu cabelo é black e meus traços são, no mínimo, fora do padrão. Que padrão? O padrão é não ter padrão, manas! Tem gente que passa uma vida toda tentando se camuflar e se tornar o que não é. Eu sou assim, escrachada mesmo, mulher mesmo, faço o que quero, luto pelo quero, adoro uma baladinha com os amigos, também trabalho 24h se necessário, e vou levando a vida suavemente!” – fala Camila
ERRAMOS: Na versão anterior d​a matéria​, lamentavelmente não foram creditados o trecho de autoria de Ana Bavon​, do site ​casadamaejoanna.com. Você está vendo aqui a versão já corrigida, com os devidos créditos. Nossas sinceras desculpas a autora​ do artigo​ pelo ocorrido.

 

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4 atitudes para praticar o feminismo já

​Texto de Luiza Vilela / Modices
_MG_84511 – PARE DE ELOGIAR MAGREZA, PARE DE REPRIMIR GORDURA
A obsessão com a magreza feminina é uma das maiores formas de controle da mulher na contemporaneidade. Não faça parte desse sistema. Elogie a roupa da sua amiga, os sapatos, a maquiagem, o penteado – elogie a inteligência, a sagacidade, o senso de humor dela. Não elogie a magreza. Não digam às suas amigas, mães e filhas que elas “estão mais cheinhas”. Mesmo que a sua intenção seja das melhores, mesmo que com isso você quisesse apenas dizer que a pessoa deveria ter um estilo de vida mais saudável: isso não incentiva ninguém!


2 – PRATIQUE A ACEITAÇÃO QUE VOCÊ PREGA
É uma batalha diária, mas é uma que precisamos lutar. Não adianta saber e entender que a mídia prega um padrão de beleza inatingível, mas continuar você mesma presa nesse padrão. De novo, é árduo, mas a gente precisa tentar. Experimente: não fazer a unha toda semana, não usar maquiagem todos os dias, não se depilar obsessivamente. Atenção para o “experimente”. O feminismo não postula essas coisas, mas ele te liberta pra experimentar não fazer.


3 – COLOQUE MULHERES NO PODER
Essa é simples: votem em mulheres. Claro, checando sempre seu histórico e as causas que ela defende. A representatividade feminina na política brasileira é minúscula, beirando vergonhosa. Ocupamos o 154o lugar entre 193 países do ranking elaborado pela Inter-Parliamentary Union, à frente apenas de alguns países árabes, do Oriente Médio e de ilhas polinésias. A lógica é simples: quem vai defender os seus direitos precisa entender as suas necessidades.


4 – CONTRATE, EMPREGUE, DIVULGUE MULHERES
Se a gente ganha em média 30% a menos que os homens, então a gente precisa se unir. E essa união precisa muito passar pelo mercado de trabalho, com medidas afirmativas mesmo, porque é só assim que as coisas mudam. Sempre que puder, dê preferência a fazer um serviço com uma mulher. Vai tatuar? Procura uma mina. Precisa consertar algo em casa? Procura uma mina. Busque empresas geridas por mulheres, divulgue o trabalho das suas amigas e conhecidas.

Os jobs da mina @showerofvibes